Lei de Cotas para pessoas com deficiência completa 19 anos

A lei que garante vagas às pessoas com deficiência nas empresas com 100 ou mais empregados, a Lei 8.213/91 –conhecida como Lei de Cotas, completou 19 anos em 24 de julho.

A necessidade de cumprir a Lei de Cotas alavancou a implementação de uma rede de serviços e muitas pessoas com deficiência estão conquistando espaço no mercado de trabalho, mas a realidade do deficiente ainda é longe da ideal.

Como aponta um de nossos leitores um dos entraves à colocação profissional dos deficientes é o desconhecimento das potencialidades das pessoas com deficiência. Acompanhe abaixo a opinião do André Herculano.

Lei de cotas ou da rotulação?

Numa pesquisa rápida na internet com o termo “lei de cotas para portador de deficiência”, encontra-se inúmeros debates sobre a lei 8213/91. O ponto principal dos debates é o fato de que empresas têm que contratar pessoas para cumprir cotas e não encontra mão-de-obra qualificada no mercado.

Segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2008, existem 232,2 mil empregos ocupados por pessoas com deficiência no mercado formal, isto é, só 1% do total de empregos, cujo montante total atingiu 39,4 milhões em 2008. Se comparamos com os números do censo 2000 do IBGE, mostrando que o Brasil possuía 25 milhões de pessoas com deficiência, ou seja, 14,5% da população, vemos a desproporcionalidade entre as vagas ofertadas e o número de pessoas para preenchê-las.

Abaixo, segue uma relação retirada de um dos maiores sites de emprego para pessoas com deficiência:

Auxiliar de Expedição, Auxiliar Administrativo de Logística, Assistente de Produção, Designer, Repositor, Atendente Comercial, Assistente Comercial, Assistente Administrativo, Caixa Bancário, Assistente de Atendimento ao Consumidor, Agente de Reservas, Assistente de Arrecadação Jr, Atendente Jr, Caixa Executivo, Atendente Comercial, Auxiliar de Acabamento, Auxiliar de Documentação Técnica, Promotor de vendas, Ajudante de produção.

Como se vê, as vagas são basicamente de assistente ou auxiliar, de amplitude nacional e, com exigência de no máximo Ensino Médio.

Como pedagogo e analista de sistema, deficiente visual que sou, fiz a experiência de colocar em meu currículo minha deficiência, enviando-o para inúmeras vagas. A resposta que recebia era apenas que meu currículo estava cadastrado no banco de dados e assim que houvesse uma oportunidade entrariam em contato. Ainda sim, esses retornos eram mínimos frente a quantidade de currículo enviado. Em outras ocasiões recebi como resposta que não havia vaga para o meu perfil mas, temos as seguintes vagas para deficientes…  Vagas, como as já citadas aqui.

Num segundo momento comecei a enviar meu currículo e não colocar que sou deficiente, principalmente para as vagas de tecnologia da informação. Desta vez sim recebi ligações de recrutadores interessados por mim. Porém quando eu digo que sou deficiente, causa espanto. Mais que isso, a promessa de verificar a possibilidade de atuação e me retornar. E em 90% das vezes nem me ligam mais.

Sendo assim, resta a pergunta: Será que pessoas com deficiência só podem atuar em vagas criadas para eles? Será que posso ser apenas um auxiliar ou assistente? Então, será que procede o discurso de que existe vaga mas não existe mão-de-obra qualificada? Vou um pouco além, será que as pessoas com deficiência que recebem um benefício do governo deixariam seus benefícios para trabalhar em um cargo que exige em geral aptidão física para receber no final do mês uma remuneração inferior o que já recebe de benefício?

Acredito fortemente que tudo isso é uma questão de olhar. Isso mesmo, olhar para a pessoa e não para sua limitação, Ou seja, a limitação e a capacidade é minha e somente minha, portanto, somente eu posso dizer aquilo que posso realizar.Que tal permitir que todos tenham o direito de passar ao menos pelo processo seletivo, ou de começar num cargo mas, receber formação e oportunidade de crescimento como acontece com todos?   

Ass: poetasantos  

Equipe BlogDorina – blog@fundacaodorina.org.br

Anúncios

Uma resposta para “Lei de Cotas para pessoas com deficiência completa 19 anos

  1. João de Carvalho Martins

    Tenho uma perna mais curta que a outra…….Por conta de uma Osteocondrose na bacia com o femur. Não consigo saber onde me enquadraria na lei de cotas…..Se alguem puder me ajudar. Agradeço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s